Competitividade pelo serviço

Competitividade pelo serviço

Competitividade pelo serviço

A competição é uma realidade em nossos dias. É saudável? Depende.

     Realidade – A competição acontece por causa de coisas ou pessoas. Há necessidade natural de se concorrer? Desde criança aparece. Manifesta-se em relação aos brinquedos, à atenção, em querer ganhar em relação ao coetâneo. Faz parte do jogo no campo da vida. A cada dia somos desafiados a sermos vencedores: ganhando de  outras pessoas na seleção por uma vaga de emprego, vencendo 200 concorrentes por vaga num concurso público, sendo o melhor entre os outros profissionais da seção… enfim, o desafio nos persegue.  Persegue-nos a luta pela sobrevivência, o esforço para vencer diante da doença, a necessidade de vencer na escola, no emprego…  na luta entre a vida e a morte. O importante é competir por c ompetir? Que nada, competimos para vencer.

     Instinto – Aqui o ponto crucial: como vencer? Ah! Essa resposta é difícil porque você pode vencer prejudicando os outros ou vencer honestamente.  “Mas, sempre que eu ganhar de alguém – argumenta você – não vai restar para trás um perdedor?” Brilhante, lhe digo!  É exatamente essa gana de querer ser o melhor ou o maior,  que está em pauta hoje. Essa necessidade humana não é nova.

Sabia que ela já era conhecida dos apóstolos?  Foi o que aconteceu certa vez quando Jesus e eles “voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?  Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior”  (Mc 9,32-33). Jesus pegou os apóstolos no flagra! E a nós, não? Compito com quem, no meu trabalho, na minha profissão? Minha competição é honesta? Na arena da vida a concorrência está a toda!

     Modo – A competição pode ser malévola ou benéfica. Depende do clima onde ela ocorre. “Como saber se ela é boa ou ruim?” está perguntando você. Com a palavra São Tiago:  “Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios”  (Tg 3,16).  Está vendo? Contenda! Ciúme! Maus indícios. Analisando-nos em nossa família e no seu trabalho, contribuimos para haver contenda ou paz? Quanta contenda por causa da concorrência!

O ponto crucial é: como competir? Como vencer? Não vamos perder tempo: perguntemos ao Mestre.  Ele, “sentando-se, chamou os Doze (e você) e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”  (Mc 9,35). Resposta bonita, mas pouco  esclarecedora para nossa situação de competitividade, não? Mas Tiago nos ajuda:  “A sabedoria, porém, que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,17-18). Está aí: servindo os outros estaremos fazendo nossos talentos produzirem  5% ou 100%  do que recebemos, como o Senhor espera!  Por falar nisto, como estamos servindo os outros? Como você e eu estamos  competindo nosso seu dia a dia?

     Pelo serviço – Cristo não condenou a competitividade. “Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12,1-2).  Condenou a forma de buscá-la e de fazê-la prevalecer. Sabe qual é um dos referenciais?

     “Quem quiser ser o maior seja aquele que serve”  (Mc 9,35).  Um paradoxo. Contudo foi o Senhor que indicou este modo de proceder, para quem quiser ser vencedor, sem ofender o próximo. “De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, precisamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós?” (Tg 4,1). Vêm do conflito. Que coisa séria!  O problema é o conflito, o ser honesto ou desonesto, eu poder vencer sem massacrar o outro, eu me tornar o maior mas sendo aquele serve… é o grande desafio para o cristão.

Mas o modo de  vencê-lo, foi dito. Lembra?  Pela via do serviço. “Quem quiser ser o maior seja aquele que serve”  (Mc 9,35).  Este serviço deve ser prestado com a sabedoria que vem do alto . Ela “é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,17-18).

Eis o caminho para quem quiser ser o maior ou o melhor!

 Eu, diante da Palavra

As pessoas competem entre si e quem não o faz incomoda
12 Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda; é contrário às nossas ações; ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação (Sb 2,12).

Compito como todo mundo, em tudo?

Também entre os apóstolos havia competição para saber que era o maior
33 Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
 34 Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.   (Mc 9,32-33)

Eu compito na prática do bem?

Onde há contenda é sinal de que há vícios
16 Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios.  (Tg 3,16)

Na minha família e no trabalho contribuo para haver paz ou contenda?

Ultrajes e torturas comumente desanimam e revoltam
19 Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência   (Sb 2,19).

Como reajo às gozações,  torturas ou opiniões diversas?

Ser o último ou o que serve
35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos  (Mc 9,35)

Como sirvo aos outros?

Minha prece (Do sl 53)

Por vosso nome, salvai-me, Senhor,
e dai-me a vossa justiça!
Ó meu Deus, atendei minha prece
e escutai as palavras que eu digo!
Contra mim orgulhosos se insurgem
e violentos perseguem-me a vida:
não há lugar vós aos seus olhos.
Quem me protege e me ampara sois vós, meu Deus;
Vós é quem sustentais minha vida!
Graças vos dou.
Livrai-me dos meus inimigos!