Salmos Imprecatórios

Salmos Imprecatórios

Salmos com pedido de maldições e desgraças

Há salmos, lembra Dom José Maria Maimone, Bispo de Umuarama (PR)[1]  que, em alguns versículos,  extravasam ódio e rancor pelos inimigos,  como o versículo 14 do salmo 59: Aniquila-os (os inimigos) no teu furor, aniquila-os, de modo que não mais existam. Para saberem que Deus é Senhor em Jacó e até as extremidades da terra (Sl 59,14).

Há versículos que imploram a morte para os inimigos, como no salmo 83: Trata-os como outrora a Madiã, como Sísara e Jabin na torrente Quison, que foram exterminados em Endor e serviram de esterco para a terra (Sl 83,10-11).

Em outros são pedidas maldições e desgraças para os maus, como no Salmo 109, versículos 9-13:

9 Que seus filhos fiquem órfãos, viúva sua esposa.

10 Que seus filhos sejam errantes e mendigos, sejam expulsos de suas casas em ruínas.

11 Que o credor lhe tome todos os bens, e que os estrangeiros roubem o fruto do seu trabalho.

12 Que ninguém lhe demonstre compaixão, que ninguém tenha dó de seus órfãos.

13 Que sejam exterminados seus descendentes e que seu nome desapareça na próxima

Geração (Sl 109,9-13).

São exemplos de versículos que imploram a Deus tudo de ruim para os inimigos. São os salmos imprecatórios.

Ora, os salmos são orações. Como é possível orar desse jeito? indaga o bispo de Umuarama (Pr). Com certeza ele expressa a indagação de muitas pessoas.

Faz sentido – Faz sentido orar com textos dos salmos com essa tônica? Faz, responde Dom José: Os textos imprecatórios podem ser entendidos nesta ótica: Todo ódio, rancor ou maldição dirigidos aos inimigos sejam entendidos como dirigidos contra a maldade e a impiedade deles. Jesus nos ensinou a odiar o pecado, mas a amar o pecador.

Imprecações – Os salmos relatam experiências concretas do povo escolhido. No dia a dia, não se abomina a maldade, abomina-se a pessoa que comete o mal: o assassino, o ladrão, o estuprador. É um modo rotineiro de se manifestar. Da mesma forma, quando os salmos pedem a destruição do inimigo, está manifestando o desejo da destruição da maldade, que se encontra impregnada em alguém. Contudo, não se ignora que estas pessoas podem se tornar boas. Mas a maldade não pode se tornar um bem. Por isso deve ser abominada sempre. É este o sentido dos salmos que pedem maldições para os inimigos, enquanto se está desejando a destruição da maldade.

Solução – Evitar esses versículos? Explica o Padre Armindo dos Santos Vaz:[2] A solução não seria banir essas orações da oração da Igreja, mas em compreendê-los e em perceber por que estão na Bíblia. Esses salmos podem ser a expressão da revolta interior do cristão, que ainda hoje  se depara com o mal moral. Podem servir para a vítima de violência elevar a Deus seu pedido de justiça. Nos salmos, entregar a ‘desforra’ a Deus implica renúncia à vingança por parte do ofendido (ver Sl 94). Jesus também os rezou, assumindo nessa sua oração a inconformidade de todo o cristão relativamente ao mal moral.

Salmos – A maioria dos salmos são assim? Não, estes expressam certos momentos da caminhada do povo hebreu.  A quase totalidade dos salmos são muito atuais como estes versículos do salmo 58, indagando os governantes: 2 Fazeis mesmo justiça, ó poderosos? É segundo o direito que julgais os homens? 3 Não! Do fundo do coração cometeis crimes; no país vossas mãos distribuem a injustiça. (Sl 58,2-3). Para que salmo mais atual, não?

Os salmos são orações sempre atuais para  os diversos momentos da vida. Verifique em sua Bíblia.



[1]No artigo Os Salmos Imprecatórios – Salmo 57 (58), de Dom José Maria Maimone, Bispo de Umuarama (Pr), publicado dia 28/09/2012, no site da CNBB.

[2]Citado no artigo Salmos imprecatórios, uma aula!, publicado no site Peregrinos de Santiago, em 26/01/2008.