Pagar o preço da opção

Pagar o preço da opção

Pagar o preço da opção

Glorificação tem a ver com reconhecimento, significa ser elevado ao estado de glória, de exaltação. É a visão humana. Tem o mesmo sentido a glorificação anunciada por Jesus? Sim, porém, os motivos para exaltação humana, comumente são diferentes daqueles que conduzem à exaltação divina.

Glorificação.  Jesus re-significou o sentido de glorificação. Segundo ele, quem é digno de receber glória? Quem  é humilde, quem se imola. O contrário do requisito humano comum. Ele mesmo se imolou mostrando que o reconhecimento humano pouco significa. O verdadeiro reconhecimento vem pela mortificação. “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor'” (Ap 5,12). Digno de receber toda honra.  Ele recebe de mim, de você? O motivo para ele receber toda honra está no fato de até ser imolado por amor de nós. Amor, para seus discípulos, passou a significar também imolação, mortificação da própria vontade.

Outro te cingirá.  Esse também é o caminho para quem quer ser seu discípulo. Foi o que predisse  em relação a Pedro: “Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir” (Jo 21,18-19).  Jesus estava indicando a Pedro que  morreria também  numa cruz.

Por que dizia Jesus que “outro te cingirá?” Porque vestir-se por si mesmo indica liberdade de movimentos. A Pedro, por ser discípulo, não lhe seria dada mais esta liberdade. Iria ser obrigado a estender as mãos para ser atado, levado ao martírio e crucificado. Observe que quando esta passagem foi relatada no evangelho de João havia muito que esta predição tinha sido realizada.[1]  Pedro pagou alto preço por ser discípulo fiel até o fim.

    Testemunho.  Também hoje somos desafiados a dar testemunho da fé. Morrendo numa cruz?  Talvez, não. Mas até em situações mais singelas, como quando  deveríamos perdoar injúrias em nosso dia a dia, como fizeram os apóstolos. “Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus”  (At 5,41). Como reagimos às injúrias que recebemos? Com indignação? Com revolta? O sentimento faz a diferença. Diante das adversidades podemos reagir de forma a ganharmos o reconhecimento divino.

É a glorificação prometida por Jesus. Ela é  resultado da perseverança no crescimento espiritual. Não vem pelo sucesso material, como humanamente acontece.. Vem pela imolação, pela injúria suportada, pela aceitação de  contrariedades, pela ação em prol do bem, mesmo não tendo vontade. A glorificação vem após o discípulo trilhar o caminho do Mestre até o fim.

 Eu, diante da Palavra

Sabiam
12Jesus disse-lhes: ‘Vinde comer’.
Nenhum dos discípulos
se atrevia a perguntar quem era ele,
pois sabiam que era o Senhor 
(Jo 21,12).

Como percebo a presença do Senhor?

Contentes por serem injuriados
41Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes,
por terem sido considerados dignos de injúrias,
por causa do nome de Jesus
 (At 5,41).

Sinto prazer quando dou testemunho da vida de cristão?

Dar glórias
12e proclamavam em alta voz:
‘O Cordeiro imolado é digno de receber
o poder, a riqueza, a sabedoria e a força,
a honra, a glória e o louvor’
  (Ap 5,12).

Dou glórias ao Cordeiro todos os dias, pelo que ele me proporciona?

Morte como glorificação
18Em verdade, em verdade te digo:
quando eras jovem,
tu te cingias e ias para onde querias.
Quando fores velho,
estenderás as mãos e outro te cingirá
e te levará para onde não queres ir.’
19Jesus disse isso,
significando com que morte Pedro iria glorificar a
Deus. E acrescentou : ‘Segue-me’
  (Jo 21,18-19).

Glorifico a Deus pelo sofrimento?

 Minha prece

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e não deixastes rir de mim meus inimigos,
meus pecados, minhas fraquezas!
Vós tirastes minha alma dos abismos
e me salvastes.
Por isso conclamo: Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Pois sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã  vem saudar-nos a alegria.
Obrigado, Senhor, pela força, para eu perseverar!

 


[1] Anotação do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em Jo 21,18, São Paulo: Paulinas, 1967.