Os marginalizados são receptivos

Os marginalizados  são receptivos

Os marginalizados  são receptivos

Hoje há situações de morte que nos desafiam: a exploração dos trabalhadores, a solidão, o consumo de drogas, a violência na família, no trabalho, a falta de diálogo. São situações de morte que afligem grande parte dos irmãos e, no passado, desafiaram os profetas. Sim, vivenciaram esta realidade por terem agido no seu contexto histórico, como também nós devemos atuar hoje.

Como atuou Elias?  Inserido na situação sociopolítica do Reino do Norte, durante o reinado de Acab e de Oczias, entre os anos de 874 e 852 antes de Cristo.[1]  Basicamente: Demonstrou profundo zelo pela vontade de Iahweh, de quem se colocou a serviço: “Pela vida de Iahweh, a quem sirvo...” (1Rs 17,1). Faz jus, assim, ao significado de seu nome: “Meu Deus  é Iahweh”. Ele é considerado o pai dos profetas, sabia? Sua prática serve, ademais, de inspiração para a prática libertadora de Jesus.

Contexto social. A que lugares Deus envia os profetas? Envia ao  lugar social dos excluídos. Esses precisam de força e esperança.  Por isso os profetas vão a eles e abrem caminhos novos, suscitando-lhes esperança e vida. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo (Lc 7,16).  O povo glorificava. Assim, o profeta é o portador da palavra capaz de transformar radicalmente a realidade pessoal e social. Em nossos dias, há profetas inseridos entre os necessitados?

Necessitados. Necessidade é o critério-chave que faz o profeta pôr-se a serviço de quem precisa de ajuda. No tempo de Elias essas pessoas eram vítimas de um sistema monárquico que produzia alto índice de exclusão social. E hoje? As vítimas são resultado de que? Do desenvolvimento econômico à custa da exploração dos trabalhadores. Quantos trabalhadores fazem hora extra e não recebem, trabalham por minguado salário, submetem-se às esmolas de muitos empregadores cristãos. Realidade dura! O poder e o dinheiro se concentram nas mãos de poucos; a exploração por aqueles que detêm o  poder econômico, é fato aceito socialmente. Há uma exploração da necessidade das pessoas.   A expropriação dos bens (cf. 1Rs 21) e o abuso da mão de obra dos pequenos causam empobrecimento, miséria, fome e morte.

Sobrevivência. Estes são ainda, acolhedores. Eles sabem que precisam uns dos outros para sobreviverem. As viúvas, os órfãos e os estrangeiros representam, na Bíblia, as categorias de necessitados. Deus não os quer abandonados, nem quer a morte de ninguém. Sabia disso Elias. Por isso foi ao encontro dos que sofrem para defender e promover o direito à vida digna. O profeta se hospedou-se  na casa da viúva pobre e estrangeira: a profecia foi acolhida por ela.24 A mulher exclamou: Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios (IRs 17,24). O coração dos desapegados é o lugar teológico-social onde são gestados novos caminhos para a libertação.

Partilha. Essa gente marginalizada é capaz de solidariedade e partilha. Nestes gestos está o caminho para a vitória de todos. Elias e Jesus o revelam. Jesus diz: eu sou o caminho. Somente seguindo suas pegadas podemos vencer o desafio que é construir uma sociedade justa e fraterna. Os discípulos missionários do Senhor não podem acomodar-se. Eles acreditam na força dos excluídos. Porque a força deles está na partilha e no Senhor.

  Eu, diante da Palavra:

Compaixão
13 Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores!
14
E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te.
15
Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe  (L 7,13-15).

Tento viver coerentemente a ponto de Deus ter compaixão de mim, como Jesus sentiu compaixão pela viúva cujo filho estava morto?

Elias tem compaixão da viúva
21 Estendeu-se em seguida sobre o menino por três vezes, invocando de novo o Senhor: Senhor, meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a ele.
22
O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida.
23
Elias tomou o menino, desceu do quarto superior ao interior da casa e entregou-o à mãe, dizendo: Vê: teu filho vive (1Rs 17,21-23).

Sou temente a Deus e por isso ele ouve as minhas orações, como ouviu a de Elias?

Princípios pessoais
11 Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano (Gl 1,11)

Os princípios que norteiam minha vida, são humanos ou divinos?

 Minha prece

Ó Senhor, como Jesus teve pena da viúva que tinha o filho morto,
Tende compaixão de mim.
Que meus sofrimentos não sejam motivo para não crer em vós.
Sei que, mesmo que eu não perceba,
Vós me livrais do mal.
Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!
Sede o meu abrigo protetor!

 


[1]   Celso Loraschi, no roteiro homilético publicado na Revista Vida Pastoral, nº 272, São Paulo: Paulus, p. 54-56.