Desapego do pecado

Desapego do pecado

Desapego do pecado

Jesus foi convidado a tomar refeição na casa de um fariseu. E o que aconteceu? Um fato inusitado:  Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. 37 Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; 38 e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume (Lc 7,36-38). Da pra imaginar o espanto das pessoas que estavam ali, não? Aliás, qual seria a nossa reação naquelas circunstâncias?  Ainda mais se tratando de uma pecadora pública! Talvez alguns soubessem quem era aquela mulher; outros, não.

Era Maria Madalena?  Não se pode dizer com certeza. [1] Também não deveria ser uma simples meretriz pública. Se fosse, não teria conseguido entrar na sala do banquete.  Devia ser alguém com elevada posição social conhecida por seu tipo de vida fácil. Como conseguiu entrar ali? Fácil. Os costumes orientais permitiam que até estranhos entrassem na sala do banquete e se entretivessem com conversação. Também era comum que fossem lavados e beijados  os pés de pessoas  investidas de autoridade em sinal de veneração.[2] Maria Madalena estando aos pés de Jesus, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume (Lc  7,38). Uma cena, com elementos de naturalidade.

Arrependimento. A naturalidade do lavar os pés e os beijar leva a uma presunção: aquela mulher sabia quem era Jesus. Estava emocionada. Estava ali porque foi tocada pela presença dele. Vendo-o, suas lágrimas brotaram do coração e não apenas dos olhos. Eram lágrimas de arrependimento. Provinham da vida que ela levava. Por isso, sem ela dizer nada sobre sua vida, Jesus sabia de tudo. Disse-lhe Jesus: Perdoados te são os pecados  (Lc 7,48). Já pensou na perplexidade dela e dos presentes?  Jesus surpreendeu. Perdoando pecados demonstrou que tinha poderes.[3] A atitude daquela mulher era de dor pela vida que levava. Jesus compreendeu. O reconhecimento dos pecados é essencial para Deus agir em nosso favor. Já foi com Davi.  13 Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás (2Sm 12,13).  O pecado leva a um triste fim.

Morte. A morte pode também ser entendida como perda da vida eterna para os que vivem no pecado. Só para os pecadores? Não só. Poderá acontecer, mesmo para os que não esperam e vivem uma religião apenas de fachada, como o fariseu que convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Você acha que é diferente dele? Tomara! É preciso não se ater a apenas em cumprir normas, preceito de ir à missa, ao culto, de comungar, mas viver a lei do amor, estender-se sobre a cruz da caridade e não apenas cumprir regras de religião.  Paulo alerta: Na realidade, pela eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo (Gl 2,19). É preciso crucificar-se na cruz da caridade. A sinceridade da fé e a prática da caridade, identificam o cristão. Não é preciso orar? É preciso. Jesus ensinou. O que não se pode é ser fariseu, fazendo só o que é aparente, mais fácil, elogiável aos olhos dos outros. Os que fazem assim já receberam sua inócua recompensa: o elogio dos outros. Isso não livra da morte eterna.

Desapego. Esse conta. Muitas pessoas ofereciam o sustento para Jesus.  Não era raro algumas piedosas mulheres providenciarem alimento e vestuário para rabino. Quando Jesus foi crucificado, estavam ali também algumas mulheres olhando de longe; entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de Joset, e Salomé. 41 Quando ele estava na Galiléia, estas o seguiam e lhe prestavam serviços. Estavam ali também muitas outras mulheres que com ele tinham subido a Jerusalém (MC 14,40).  Assim faziam com Jesus, por devoção e gratidão, algumas mulheres, entre elas, Maria Madalena. Serviam não só a Jesus, mas também aos apóstolos. Assim, desapegado das preocupações relativas à subsistência, Jesus pregava com o exemplo o desapego a todas as coisas terrenas.[4] Uma pregação atualíssima em nossos dias!

Vivendo o dia a dia segundo Deus, não apenas cumprindo regras de tradição religiosa, nos diferenciaremos dos fariseus. Lembra que Jesus censurou o fariseu e elogiou a sinceridade da pecadora arrependida? Uma lição que não pode ser esquecida.

 Eu diante da Palavra:

Vivo para quem?
19 Na realidade, pela eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo (Gl 2,19).

Posso me considerar morto para o mal e vivo para a prática do bem?

Pecado leva a morte
13 Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás (2Sm 12,13).

Que noção eu tenho de pecado? Tenho consciência de que ele leva à morte diante de Deus?

Perdoa pecados
49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
50
Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua te salvou; vai em paz  (Lc 7,49-50).

A cada quanto tempo peço perdão a Deus de meus pecados?

Minha prece

Senhor, feliz a pessoa que foi perdoada
do seu pecado.
Feliz aquele a quem não olhas mais como sendo culpado
e em cuja alma não há falsidade!
Senhor, quero abandonar a prática do mal,
A exploração do próximo.
Ajuda-me a me arrepender de minhas faltas
E não mais cometê-las.
Assim, poderei  louvar-te com sinceridade.
Quero ter um coração reto e cantar alegre
por causa de tua bondade.


[1]   Anotação em Lc 7,37 da Bíblia Sagrada do Pontífíci Instituto Bíblico de Roma, São Paulo: Paulinas, 1967.

[2]   Anotação em Lc 7,37 da Bíblia Sagrada do Pontífíci Instituto Bíblico de Roma, São Paulo: Paulinas, 1967.

[3]   Anotação em Lc 7,48-49 da Bíblia Sagrada do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, São Paulo: Paulinas, 1967.

[4]   Anotação em Lc 8,3 da Bíblia Sagrada do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, São Paulo: Paulinas, 1967.