Falsos valores

Falsos valores

Falsos valores

Todos somos contaminados por pseudovalores: consumismo, fazer só o que tem vontade, hedonismo, ânsia de riqueza, indiferença religiosa, entre muitos. Não são valores. São falácias impostas pela propaganda, por alguns formadores de opinião. Esses desvalores seduzem. Quem se deixa levar por eles, quando cai em si, está descrente, está vítima da solidão, está desiludido da vida… e não sabe por quê.

Lamentável. Comparando com os cristãos do tempo de Jesus, temos motivos para errar menos. Há muitas provas de que a escolha cristã leva à felicidade. Por outro lado, nunca houve tanta informação e alternativas quanto agora. Contudo o cristão sempre teve uma direção a seguir. Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito!  (Zc 12,10). Olhar para aquele a quem transpassaram e chorar de arrependimento deve ter sido dolorido. Mas também temos motivos para nos arrependermos de ter voltado as costas para aquele que foi transpassado porque desejo nos dar exemplo de fidelidade à vontade do Pai. É lamentável não reconhecer o que ele passou por nós!

Erro na escolha. Temos os valores ensinados desde o antigo testamento, temos a graça de conhecer Jesus por meio da leitura dos Evangelhos, através do testemunho dos discípulos que o conheceram pessoalmente e também através do testemunho das comunidades cristãs primitivas. “Ora, se sois de Cristo, então sois verdadeiramente a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa” (Gl 3,29).  Há uma grande riqueza de informações e verdades sobre Ele. Em nossos dias, podemos, ainda, nos familiarizarmos com ele, gradativamente,  através da oração, das pregações dos enviados de Deus, através da meditação.[1]  Essa prática nos ajuda a sermos perseverantes.

Cruz. A forma de a carregar faz a diferença. Não podemos deixar de carregá-la com o mesmo empenho de Jesus. Que significa, na prática carregar a cruz? É uma metáfora que significa  mortificação, fazer morrer em nós aquilo que é contrário ao que ensinou Jesus.  Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito!  (Zc 12,10). É preciso chorar por nossos pecados. Há que se mortificar para que? Paravencer as paixões, há que fortalecer a vontade para reprimir as más tendências da natureza  corrompida,[2] é preciso fazer morrer a gana de vencer ainda que deslealmente  na competividade do dia a dia.

Competição. Vivemos numa sociedade competitiva, até na família. Também na família há competição?” pode se perguntar.  Com frequência. A competitividade está escancarada e  de modo sutil. Desde o âmbito familiar, os pais tendem a educar os filhos para serem os melhores, os mais fortes, os mais espertos… Ao entrarem na escola, a maior preocupação é vencer na vida, preparar-se para ganhar dinheiro, fama e poder. É a lógica do mundo competitivo. Nele não se valoriza o serviço humilde e a política que inclua as pessoas numa vida digna. Mas isso não está de acordo com, o ensinamento de Cristo. Ele não quer que vivamos como se cada um fosse estranho ao outro. “28 Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,28). É preciso lutar por oportunidades sem pisar no outro. Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo (Gl 3,27). Não é justo competir de forma desleal.

Reconhecer Deus. É grande ainda a discriminação de pessoas, devido à sua condição social, à cor da pele ou ao sexo. Mesmo os cristãos discriminam, sabia? É preciso perguntar a estes, quem é Jesus para eles 20 como o próprio Jesus perguntou aos discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus  (Lc 9,20). Será que a maioria dos cristãos responderiam como Pedro?  Se Cristo é Deus, por que não o levo a sério na minha vida? Haja coerência!

Possuímos a graça.  Todos temos a potencialidade divina em nosso coração.27 Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) Que fazer? Podemos exercitar cotidianamente o auxílio mútuo, a cordialidade, o falar bem do próximo ao invés de falar mal dele. Não foi isso que Jesus nos ensinou? Ele mostrou o caminho a ser trilhado: aquele  que se caracteriza pelas rupturas com o exercício da autoridade despótica, impositiva, pela adesão à prática da solidariedade. O caminho trilhado diversamente pode ser equivocado.

Que as falsas ideologias não nos dominem. Somos batizados. Que isto significa?  Que decidimos seguir Jesus e sua doutrina. É o que devemos fazer. Ele não ambicionou fama e triunfalismo, não seguiu falsos valores,  mas escolheu ser fiel ao Pai, até a morte. É o valor que não podemos esquecer ao longo da vida.

  Eu diante da Palavra

Quem é Jesus
20 Perguntou-lhes, então: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus  (Lc 9,20).

Quem é Jesus para mim?

Transpassaram
Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito!  (Zc 12,10).

Tenho consciência de  que também fui causador da morte de Jesus?

Revestido
27 Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo  (Gl 3,27).

Vivo como quem está  revestido de Cristo?

 Minha prece

Sois, ó Senhor, o meu Deus!
A minha alma tem sede de vós,
meu corpo também vos deseja.
Como terra sedenta e sem água.
Venho, assim, me apresentar diante de vós no templo.
Desejo seguir os valores ensinados por vosso Filho.
Vosso amor vale mais do que a vida:
por isso meus lábios vos louvam.
Reconheço-vos como meu Deus,
o único a quem devo servir.

 


[1]   Celso Loraschi, nos roteiros homiléticos publicados na Revista Vida Pastoral, de maio e junho de 2010, nº 272, São Paulo: Paulus, p. 61.

[2]   Anotação em Lc 8,23 da Bíblia do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, São Paulo: Paulinas, 1967.