Onde está nosso tesouro ali está nosso coração

Onde está nosso tesouro ali está nosso coração

Onde está nosso tesouro ali está nosso coração.

Onde está o nosso tesouro, aí está nosso coração.  Em que se baseia esta afirmação? No fato de que não nos desgrudamos daquilo a que somos apegados. Se estamos apegados a alguém lembramos sempre dessa pessoa. Que mãe se esquece do filho? Se somos apegados a ganhar dinheiro, pensamos nisso todo dia. Se estamos apaixonados por alguém, pensamos naquela pessoa várias vezes ao dia. Com base nesse critério, você se acha apegado a Deus? Com certeza a maioria das pessoas não são. Neste caso, é normal pensar em Deus só de manhã ou de noite ou em nenhum momento durante o dia? Você pode ter outro critério para avaliar a importância que você dá às coisas na sua vida, às pessoas, à religião, ao trabalho. Mas se você for utilizar o critério do apego que faz você pensar naquilo que o atrai muitas vezes, é possível que não se sinta confortável, ao avaliar quanto você dá importância Deus durante o dia.

Depende da preferência. Toda pessoa tem uma hierarquia de preferência. Jesus estabelece qual deve ser a hierarquia de preferência no amor, para todo cristão: “Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 15,26).   Surpreso? É possível. Esse Jesus nos desafia, hein! Ele estabelece qual deve ser a prioridade nesta escala de predileção daquele que deseja ser seu discípulo. “Mas como? Amar menos ao filho? Ao esposo(a)? À namorada(o)?” Não tenha dúvida. Todos estes devem ser amados, após Deus. Veja bem: Após!

Existe uma escala. Em geral é outra a nossa escala de valores. Deixamos Deus para de manhã  e para a noite. Às vezes nem isso. A quem você ama, então, com precedência?  Há um jeito de descobrir. É só olhar a quem você dedica mais tempo, quem ocupa mais sua atenção, em quem você pensa em primeiro lugar… aí você verá onde está o seu coração. Já pensou nisto? E se, em primeiro lugar, não estiver Deus?  Ah! Jesus é taxativo: não pode ser meu discípulo. Pede que o amor a ele prevaleça sobre qualquer outro afeto. Até mesmo sobre o afeto para consigo próprio? Sim,  ou para com os bens materiais de estimação, ou ainda, para com a família.  Dedica-se muito tempo a quem se ama. Diante disso, podemos nos perguntar a quem amamos mais. 

“Odiar” ou “amar menos que…?”  Amar menos que a Deus, qualquer pessoa ou bem, é nosso dever.  Jesus é claro: Quem amar mais pai, mãe, filho ou filha, do que a Cristo,  não é digno dele. O verbo “odiar” jamais poderá ser  entendido como rejeição da família.  Um judeu nunca ensinaria ódio aos familiares, base de sua vida e de sua fé.[1]  Essa palavra “odiar” pode ser traduzida como “amar menos” . O discípulo terá que fazer opção no seguimento a Jesus e romper com os critérios humanos de afeição. Você é capaz disso? Precisa ser desapegado de tudo, para colocar Jesus em primeiro lugar. Por outro lado, se for desapegado, sofrerá a consequência. Sabe qual?

Cruz.  Ela é a consequência do seguimento a Jesus Cristo. Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser o meu discípulo (Lc 14, 27). Carregar resignadamente a cruz como o Mestre é o preço a ser pago por quem deseja ser cristão. Quem seguir a Jesus, acabará encontrando o sofrimento. Não tem jeito. Foi assim com o Mestre. Por outro lado, pela fidelidade durante o sofrimento, durante a cruz, se poderá alcançar a salvação. Então quem salva é o sofrimento? Não. Quem salva é o seguimento a Jesus. Tanto que é possível alguém sofrer, sem merecer a salvação. Por outro lado, o cristão, por causa do seguimento ao seu Mestre, até  assume o  sofrimento que poderá advir em consequência dessa opção. Porém só o sofrimento não é redentor. Já viu quantas pessoas sofrem sem dar sentido cristão ao sofrimento?  Muitas.

Mais que fatalidade. Não se pode interpretar a cruz apenas como os sofrimentos comuns na vida: dificuldades financeiras, drogas na família, traições. Essas coisas podem fazer parte da cruz de de qualquer pessoa. Mas a cruz do cristão pode abranger estas coisas ou outras, mais a opção por Cristo. A opção por Cristo é que faz a diferença na cruz do cristão, em relação cruz dos outros. A cruz de Cristo não foi constituída só pelo sofrimento do cotidiano de sua vida, como a dopovo. Sua cruz foi consequência de sua vida.[2]  Assim também precisa ser nossa cruz: a vida do dia a dia, mais seguimento, o preço de nossa opção pela vida, segundo os ensinamentos de Cristo. É preciso tomar a cruz e segui-lo. Não só tomar a cruz. O que  aconteceu com Paulo?  Eu, Paulo, idoso como estou, e agora preso por Jesus Cristo  (Fm 9,9). Preso! Motivo? Por ser cristão. Com estes olhos o sofrimento  deixa de ser visto como fatalidade intransponível, mas como forma de nos assemelharmos a Cristo. Deus não quer o sofrimento de ninguém, mas a felicidade.

Felizes. Felicidade é a grande conquista a ser feita. Salomão era rico e sábio. Como chegou lá? Reverenciando o Senhor. Por este motivo, recebeu como prêmio a sabedoria e agia como sábio. Também nós podemos agir desse modo, porque temos o Espírito Santo. Ele nos dá sabedoria. 14 Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções (Sb 9,14). Com a sabedoria divina podemos ir mais longe, podemos ganhar mais. Salomão descreve a sua vida, igual à de todos os mortais, desde o nascimento. Porém, tornou-se diferente  quando pediu a Deus e recebeu o dom da sabedoria. Ganhou a sabedoria e muito mais. Ele sabia a quem preferir entre Deus e tudo o mais. Sabemos também?  Preferimos?

Onde está nosso tesouro ali está nosso coração.

 

Eu diante da Palavra

Cruz
Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser o meu discípulo (Lc 14,27).

Carrego minha cruz sem reclamar?

A quem amo
26 Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo  (Lc 14,26).

A quem amo mais: a alguma pessoa na terra ou a Deus?

Preso
9 Caríssimo, prefiro fazer apenas um apelo à tua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou, e agora preso por Jesus Cristo  (Fm 9,9).

Paulo foi preso por causa de sua opção por Cristo. Eu correria o risco de ser preso pelo fato de ser cristão?

Sabedoria
18 Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvos  (SB 9,18).

Se, pela sabedoria as pessoas se salvam, que fatos demonstram que estou procurando viver com sabedoria?

 Minha prece

Senhor,
quem não carrega a sua cruz, seguindo Jesus,
não é  verdadeiro  discípulo dele.
Preciso colocar junto com estes sofrimentos
o amor a Jesus Cristo,
para que ele dê sentido à cruz que carrego.
Muitas vezes caminho sozinho, distante dele, Senhor.
Reclamo contra meus sofrimentos,
Que muitas vezes nem são por causa de Jesus Cristo,
Mas são criados por mim mesmo,
por causa de minha ganância, minha falta de amor ao próximo.
Preciso amar mais a vós, Senhor,
Desse modo aprenderei vossos caminhos
E poderei ser salvo.
Conto com vosso auxílio, Senhor.

 


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[2]