Expectativa e sinais

Expectativa e sinais

Esperança e sinais

Nossa vida é uma constante expectativa. Expectativa de melhorar financeiramente, expectativa quanto ao futuro, expectativa de como será a velhice, expectativa de conseguir o que se deseja. Vivemos sob expectativas! Viver sob expectativa é o mesmo que viver sob a esperança? Pode ser. Mas não é o mesmo que viver sob a esperança baseada na fé.

Esperança. É baseada nos sinais divinos que nos foram dados ao longo da caminhada do povo de Deus. A esperança estimula na caminhada visando a preparação para o encontro com o Senhor. “Tende também vós paciência e  os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,8). Ele nos introduzirá na nova Terra. Nela não haverá cego, surdo, mudo ou pessoas com deficiência física. Todas recobrarão a integridade da vida. Será assim somente após a morte? Não, podemos viver ainda aqui algo desse sonho. Depende de nós. “Infeliz o que despreza a Sabedoria e a disciplina; vã é sua esperança, estéreis seus esforços e inúteis suas obras” (Sb 3,11). O Senhor nos deu a receita. Se aceitarmos seu convite poderemos ingressar num mundo novo, como aquele do povo hebreu liberto da escravidão. 

Previsão. No meio de todo o cansaço da caminhada, Isaías prevê a esperança do povo de Deus sair do cativeiro e retornar sua terra de onde foi enxotado. Como será em sua terra para onde sonham voltar?  Então se abrirão os olhos do cego. “E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe” (Is 35,5-6).  Que quer dizer este fato a nós? Garantia. É o símbolo da terra que nos espera assim como esperava o povo hebreu. Entretanto, a volta para a terra das bênçãos divinas dependia da libertação  que deveria conseguir. Nós, não dependemos dos outros; dependemos de nossa vida, pois Deus já nos deu condições de nos libertarmos do mal.

Sinais. Temos muitos em nossos dias atestando a bondade divina. Existiram sinais do poder de Deus para nossos antepassados na fé, existiram no tempo de Jesus, existem hoje. Existiram sinais e milagres. Contudo, muitos não enxergam o que eles querem dizer. Ficam apenas questionando, duvidando indefinidamente deles. Alguém que deseja saber a direção a seguir, por acaso, se detém para examinar  se a placa indicativa do caminho é de latão ou de madeira? Se os símbolos ou as letras estão bem ou mal desenhados? Não. Só os interessados nesta matéria. Os que desejam seguir viagem vêem com outros olhos as placas de sinalização. Assim também os que têm fé enxergam os sinais de Deus e os milagres. Eles precisam nos levar ao reconhecimento do Senhor. Foi para isso que existiram. Jesus usou deles para responder aos discípulos de João se ele era o Messias: “Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: 5os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres” (Mt 11,4-5). Eram sinais claros de que o libertador estava ali para ser seguido.

Alegria. O Messias veio e voltará. A expectativa de sua volta significa a certeza da vitória da justiça, ainda que  demore e por mais que a injustiça pareça prevalecer. Não prevalecerá. “O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio 2 ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria” (Is 35,1). Entendeu, então, o que significa advento?  Não é apenas preparação para comemorar o Natal. É celebrar a chegada do Senhor e reunir forças para arrebatar o reino de Deus, como fez Jesus.[1]  Para tanto, é preciso interpretar os sinais e segui-los de modo confiante.

Sonhamos em ser felizes. Temos  muitos sinais que indicam o caminho para alcançarmos esta expectativa. Mas, a esperança baseada na fé, nos dá a certeza de que esta expectativa se realizará. A questão é saber se trilhamos o caminho que nos conduz à sua plena realização. Depende de nós. Trilhando por este caminho não nos decepcionaremos. A esperança da fé não decepciona. Os sinais que temos recebido indicam que, com certeza, nossas boas expectativas serão satisfeitas. Vale a pena esperar e trilhar o caminho da esperança.

  Eu diante da Palavra

Fraqueza
3 Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes (Is 35,3).

Oro ao Senhor e pratico o bem, para que ele me fortaleça?

Deus que vem
4 Dizei àqueles que têm o coração perturbado: “Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos”  (Is 35,4).

Espero na salvação que vem do Senhor ou confio mais naquela que eu consigo por meus méritos?

O que vistes o ouvistes
3 “Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?”
4 Respondeu-lhes Jesus: “Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes
(Mt 11,3-4).

Ouvindo o que Jesus fez aumenta meu comprometimento religioso? 

 

 

Minha prece

Senhor, és fiel para sempre.
Fazes justiça aos que são oprimidos
e concedes alimento aos famintos,
através das pessoas de boa vontade.
Libertas os cativos,
abres os olhos aos cegos,
ergues os caídos,
amas aquele que é justo,
proteges o estrangeiro.
Amparas a viúva e o órfão
e também confundes os caminhos dos maus.
És bom e justo, Senhor.
Mostras que és o libertador
que não trais a confiança de alguém
e haverás de reinar para sempre!
Quero, Senhor, confiar sempre mais em ti,
Com a certeza de que não serei decepcionado
na minha esperança em ti!
Assim seja.

 

 


[1]
         [1] Padre José Gonzaga do Prado, em artigo na Revista Vida Pastoral, n. 275,  Nov-Dez/2010, p. 55-57.