Concebidos pelo Espírito

Concebidos  pelo Espírito

Concebidos  pelo Espírito

Jesus foi concebido pelo Espírito. E nós? Fisicamente, não; mas, na vida espiritual, sim. Fomos gerados de novo no batismo, como Jesus foi gerado pelo Espírito até fisicamente. A concepção de Jesus lembra, pois, nossa concepção.

Deus conosco. Era a intenção de Deus. Maria não usou do direito de preservar seus interesses, ao invés de se lançar nos interesses de Deus. Ela foi generosidade total. Somos também assim? Nosso amor nem sempre tem essa dimensão. Você acha que suas atitudes são, na maior parte do tempo, sem interesse próprio, ainda que velado? Ah, é muito difícil que sejam! A generosidade de Maria foi pura. “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,21-23). Tudo como predito? Sim. “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23 “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco” (Mt 1,22-23).  Ela nada receberia em troca a não ser a alegria de servir a Deus e à humanidade. Certamente desejaríamos receber também algum benefício concreto. Mas o amor de Maria foi isento de qualquer segunda intenção. Por isso foi puro. Quase incompreensível até por seu esposo.

Senso de justiça. A primeira etapa do casamento estava realizada. Ele já era marido dela, mas não conviviam. De repente soube que ela estava grávida e não era dele. Então, como poderia ela estar grávida? Que estranho! E agora, denunciá-la como adúltera, como mandava a Lei?  “José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente  (Mt 1,19). Ele era uma pessoa justa. Seu senso de justiça estava acima do seguimento ao rigor da Lei. Pensava em  deixá-la sem provocar escândalo, para não prejudicá-la. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo’” (Mt 1,20). José ouviu a inspiração divina. Deixou de satisfazer seu interesse humano de punir Maria. Ao invés disso, procurou atender também ao interesse dela e de Deus. Acolheu, então, Maria e Jesus. Conosco também teria sido assim? Os desígnios de Deus são insondáveis.

Virgindade e nascimento.  Em se tratando de concepção, a permanência da virgindade de Maria após o nascimento é incompreensível. Mas é também um  prodígio.[1]  Onde está o aspecto prodigioso? No fato dela se entregar à missão divina antes, durante e após o parto. Foi exclusiva do Messias. Até que ponto somos também servos do Messias? Temos a missão de levar seu nome ao mundo. Recebemos “a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé, 6 entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo” (Rm 1,5-6). Fomos escolhidos por ele e nascemos do Espírito no dia do nosso batismo.

Cumpriu-se.  Deus realizou o que prometeu pelos profetas. Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14). De fato, Deus se fez carne. Sua parte ele cumpriu enviando o Salvador, que nos deixou a boa nova. Este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura” (Rm 1,2). Deixou-nos o caminho da salvação e mais: deu-nos a graça de nos tornarmos também filhos de Deus.  Resta-nos a atitude como a de Acaz: “De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova”  (Is 7,12).

A concepção de Jesus lembra o Espírito Santo agindo em Maria. Lembra também nossa concepção como filhos de Deus pelo batismo. Por consequência, nosso destino se alinha ao destino de Jesus. Somos co-redentores do mundo.

Que nossa concepção pelo Espírito Santo esteja produzindo para nós e para o mundo, frutos de santidade!

 Eu diante da Palavra

Deus Conosco
14 Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14).

Sou, para o mundo, alguém que contribui para ele ser melhor?

Prova
12 Acaz respondeu: “De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova”  (Is 7,12).

Costumo colocar Deus à prova impondo que ele me dê o que quero?

Desde outrora
2 Este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura (Rm 1,2).

Vivo segundo a doutrina de minha religião que possui milhares de anos?

Não querendo difamá-la
19 José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente  (Mt 1,19).

 Que esforço tenho feito para não difamar meus colegas quando falo mal deles?

 Minha prece

 Senhor, a ti  pertence a terra,
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
Pertence a ti, também,
Aquele que tem mãos puras e inocente coração,
quem não dirige sua mente para o crime.
Tua bênção, Senhor, desce sobre o justo
e recompensa os que zelam pelo bem.
Que teu Espírito nos ilumine na travessia deste mundo
rumo à casa do Pai.

 


[1]
         [1] Nota na Bíblia Sagrada, do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em Is 7, nota 3-14.