Instaurou-se novo Reino

Instaurou-se novo Reino

 

     A humanidade caminhava nas trevas. De repente, apareceu uma luz: o Filho de Deus! Ele veio como Salvador para os que andavam errantes nos próprios caminhos. Contudo, poucos o reconheceram como o salvador, não é verdade? Infelizmente.

Humildade. Quem, exceto sua família, o reconheceu logo após o nascimento? Os pastores. Somente. Eles o reconhecem como o Salvador dos pobres, ainda que o encontrassem dormindo num  cocho, não em um berço de ouro.[1]  Uma situação inusitada. Ali estava, humildemente, aquele que veio para reconduzir seu povo como rei e pastor. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz”  (Is 9,1). Isto tornou possível grandes coisas. Para quem? Para os que acreditaram. Para os outros, ele simplesmente passou. Era humilde demais para ser levado a sério. Não deram o crédito que ele merecia. Como hoje? Talvez.

Emanuel.  Seu nome  indicava sua origem divina: “Deus conosco”. Por que “Deus conosco”?  Porque Deus se fez um de nós. Fomos agraciados “porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”  (Is 9,5).  Que situação nova essa! Aquela criança soberana! Sim e mais: aquela criança era a instauração do reino de Deus entre nós, um reino de bem-estar duradouro.[2] Na singeleza daquela criança estava o Deus forte, o Príncipe da Paz, o Deus conosco (Emanuel). Este menino seria prodigioso e também sinal de contradição. Já começava pela situação dele, ou seja, o “Deus conosco” estava ali, numa manjedoura de animais. As contradições continuariam.

Do cocho a ressuscitado. O menino cresceu.  Depois, padeceu, morreu, ressuscitou e está agora à direita do Pai, no banquete celeste. Ele está intercedendo por nós, que continuamos aqui na terra e é motivo de alegria para os que acreditam em suas promessas, como já previa Isaías. Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos”  (Is 9,2).  Como assim essa alegria? É que esse Jesus morto e ressuscitado, que teve como berço um cocho e como leito de morte a cruz, fala-nos  de Deus e da salvação.[3] Ele foi vitorioso.  Sua vitória é garantia de vitória também para seus seguidores. Haverã0 de se alegrar com colheita que haverão de obter, da mesma forma que aquele menino obteve.  Basta que o encontrem e o adorem como os pastores.

Encontrar Jesus. Os pastores eram pobres, temidos e discriminados.[4] Que pobre não o é!  A situação deles era semelhante à dos ciganos hoje. Eram nômades, iam de um lugar para outro conduzindo suas ovelhas. Passavam as noites ao relento, olhando seus rebanhos. Por isso eram temidos pela suspeita de serem ladrões de gado. Veja o paradoxo: Foram exatamente esses suspeitos que encontraram Jesus.  Encontraram e o adoram. O que podemos aprender com eles? O reconhecimento de Deus. Eles, simplesmente se ajoelharam-se diante da manifestação de Deus.

Renúncia. Com que objetivo Deus conduzia os pastores ao seu Filho recém-nascido? Para mostrar, aos pastores e a todos nós, de modo concreto, como devemos viver. Manifestou-se no lugar onde os animais comiam, para nos ensinar a humildade. Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. 12 Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade” (Tt 2,11-12). Renunciar a tudo isto não é fácil. Contudo, é o que nos foi ensinado pelo Messias. Nosso desafio é renunciar à nossa vontade, para nos submeter à boa nova trazida pelo Messias. Dessa forma haverá de se instaurar aqui na terra, o reino dos céus.

O evangelho dele liberta os cativos e repatria os exilados, deixa a todos livres e felizes, consolida o reino céus. A vida das pessoas na terra será modificada. Os critérios de convivência se transmudarão. A salvação ganhará espaço entre as pessoas.  Para isto basta que cada um dê testemunho da luz, dê sua contribuição para que o reino de Deus se instaure ali onde vive. Desta forma o reino de Deus crescerá no meio de nós!

Veja também: Acolher e testemunhar

Eu diante da Palavra

Luz
1 O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz  (Is 9,1).

 O natal é uma luz que resplandece sobre mim ou tem sido para mim apenas uma festa externa?

Aparição
13 na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tt 2,13).

Vivo na expectativa da aparição gloriosa do Salvador a qualquer momento?

Anúncio
10 O anjo disse-lhes: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo:
11 hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor
 (Lc 2,10-11).

Em que esse anúncio tem repercutido em minha vida?

 

Minha prece

Senhor, meu coração se alegra
Por teres vindo morar entre nós.
Quero manifestar tua glória por meu exemplo,
Por palavras também, quando eu puder.
Vens para governar os corações, a terra,
Vens para fazer prevalecer a justiça.
Precisamos de tua presença.
Bem-vindo, Senhor, entre nós!

 


[1]
         [1] Padre José Gonzaga do Prado, em artigo na Revista Vida Pastoral, n. 275,  Nov-Dez/2010, p. 61-62.

[2]
         [2] Nota do Pontifício Instituto Bíblico, em Is 9,5-6.

[3]
         [3] Padre José Gonzaga do Prado, em artigo na Revista Vida Pastoral, n. 275,  Nov-Dez/2010, p. 62.

[4]
         [4] Padre José Gonzaga do Prado, em artigo na Revista Vida Pastoral, n. 275,  Nov-Dez/2010, p. 60.