Batismo e conversão

Batismo e conversão

Batismo e conversão

A lógica seria primeiro receber o batismo e depois buscar a conversão ou primeiro a conversão e depois o batismo?  Perguntemos ao Mestre: Senhor, como deve ser?  “Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Então, segundo o que está escrito, a tônica está em crer. O batismo é o selo da fé. A recepção do Espírito Santo será o guia na vivência do compromisso em viver o que se crê. Por isso se crê e se é batizado. Será que, em nossos dias, primeiro se crê e depois se é batizado?  Há dúvidas. Mas deveria ser.

Purificação. O batismo purifica. Ou não? Sem dúvida, purifica,  perdoa os pecados.  A purificação por meio da água esteve frequentemente presente no Antigo Testamento. No Novo Testamento, Pedro vê na água do dilúvio um sinal prefigurativo do batismo. “Nesta arca, umas poucas pessoas – oito – foram salvas, por meio da água. À água corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação“  (Pd 3,20-21). Renascemos pela água. Temos mantido este estado de purificação? Buscamos a purificação espiritual através dos sacramentos?

Jesus e João. Nos evangelhos, os relatos do batismo de Jesus são sempre precedidos por informações sobre João Batista e seu ministério. Qual era o conteúdo da pregação de João? A contrição e o arrependimento para remissão dos pecados. Ele também encorajava seus ouvintes A dar esmolas para os pobres (Lc, 3,11).  Falava como profeta. E em relação a Jesus? Ele já vinha profetizando a superioridade de Jesus:  “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu” (Lc 3,16). Ele era o precursor. Neste caso, a pregação de João encerrou-se com Jesus? Não. A pregação de João sobre a contrição e o arrependimento continua válida. Por isso é oportuno nos perguntarmos: Como estamos diante dela? Temos algo do que nos arrependermos?

O batismo de Jesus. Como foi o batismo de Jesus? Foi assim:13Então, Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, até junto de João, para ser batizado por ele. 14Mas João queria impedi-lo, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por ora, deixa, é assim que devemos cumprir toda a justiça!” E João deixou. 16 Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água, e o céu se abriu. E ele viu o Espírito de Deus descer, como uma pomba, e vir sobre ele. 17 E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado; nele está o meu agrado” (Mt 3,13-17). Uma teofania. Houve uma declaração pública do Pai, de que Jesus era seu Filho. Um dia também nós recebemos o Espírito e nos tornamos filhos de Deus. Ele passou a morar em nós. Lembramos disto?  Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança (1Pd 1,3). Somos também filhos amados de Deus. Sentimo-nos assim? 

Conversão. É a meta do dia a dia para todo batizado: converter-se! Era  o que pregava João. Pregava a conversão para que os pecados fossem perdoados. Ou seja, bastava alguém confessar os pecados para ser perdoado? João pregava que precisava mais. O batismo dele não supunha uma concepção legalista ou mágica de purificação de impureza.[1] Significava mudar de vida. Esse é o sentido de conversão também hoje para que seja agradável a Deus. Não se apóia apenas em rito, e sim, em praticar a justiça. “Mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo” (At 10,35). João pregava o batismo de uma vida condizente com a pureza moral e não o simples apego à prática do formalismo religioso. Será que este reducionismo em apenas praticar ritos não ocorre ainda hoje (apenas batizar, apenas ir à missa, apenas casar na igreja…)? Será que as pessoas não vivem mais atrás de ritos do que no empenho para serem melhores? A conversão não pode ficar em segundo plano.

Ser filho. A conversão moral, pessoal, não se opera apenas pela força mágica da água, segundo João, mas pela mudança de vida, da qual o batismo é o selo. “Assim veio João, batizando no deserto e pregando um batismo de conversão, para o perdão dos pecados” (Mc 1,4). Afinal, podem indagar alguns, o batismo torna ou não torna a pessoa filha de Deus? Sim, pelo batismo o crente se torna filho de Deus. Contudo, se esse dom não for cultivado pode ser perdido. Se perdido, a pessoa pode não alcançar aquilo que o batismo lhe promete. O reino de Deus é como uma semente. É necessário ser filho e portar-se como tal.

Salvação. A graça salva se acompanhada de vida digna. Somo servos de Deus encarregados de anunciar a salvação. “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1). É nossa missão!  Batismo e conversão caminham juntos. Por eles se alcança a salvação.

Que o próprio Deus seja nossa força para cumprirmos essa missão difícil, mas necessária: pregar e dar testemunho de que é preciso converter-nos à boa nova de Jesus.

Eu diante da Palavra

Anunciar
 “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1).

Anuncio a verdadeira religião ou me omito em assuntos religiosos?

Prodígios
6Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações;
7 para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas” (Is 42,6-7).

Realizo estes gestos no dia a dia como o Senhor espera de mim?

Fazer o que é justo
Mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo” (At 10,35).

Reverencio a Deus e faço o que é justo para ser agradável a ele?

Sinais da presença de Deus
Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele” (At 10,38).

Se digo que  Deus está comigo, meu comportamento exprime esse fato ou os outros não conseguem perceber a presença de Deus em mim?

Amado
E do céu baixou uma voz: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3,17).

Sinto-me como filho amado por Deus?

 

Minha prece

Abençoa-me, Senhor, com tua paz.
Bendito és tu por tudo o que operas em minha vida
E na vida do mundo.
Bendito o Espírito Santo que veio no meu batismo
E me tornou seu templo:
Sou templo onde habita Deus.
Obrigado, Senhor,
Por eu ser teu filho amado, como Jesus.

 


[1]
         [1] Dicionário Enciclopédico da Bíblia, A. Van Den Born, Petrópolis: Vozes, 1977, p. 163.