As coisas do alto

As coisas do alto

As coisas do alto

Vivemos com a cabeça enterrada em nossos trabalhos, não é verdade? Sim, tanto é verdade que poucas pessoas param alguns minutos num dia ou uma hora por semana, para olhar para o alto, ou seja, ir ao culto, fazer obras de caridade, ler e meditar a Palavra, orar, cuidar da vida espiritual. Poucas. Contudo, o Senhor nos adverte: cuidai das coisas do alto, não do que é da terra (Cl 3,2).  Os que não fazem isto como alcançarão a felicidade que mora exatamente no alto? Difícil. “No alto”, quer dizer, na dimensão imaterial da vida. Infelizmente não investem no reino da felicidade duradoura. A maioria de nós vive com a cabeça voltada para os afazeres não espirituais.

Administração do tempo – Qual tamanho do nosso empenho em estabelecer ainda neste mundo um reino de felicidade? Sim, pois, o reino dos céus começa aqui e é o mesmo que reino de felicidade que nos foi prometido pela fé. Qual o tamanho do meu, do seu esforço? O esforço, em geral, não é muito grande, não é? Em geral, fica  em segundo plano. Porém, “tanto ao justo como ao ímpio Deus julgará, pois há um tempo para cada coisa e para tudo o que se faz” (Ecl 3,17). É preciso administrar o tempo. De fato, para todas as coisas, há tempo e julgamento, e a aflição do ser humano é grande: ele não sabe o que vai acontecer (Ecl 8,6-7). Infelizmente há pouca  dedicação em consolidar já neste mundo o reino dos céus. Investe-se mais tempo em cultuar o deus do modismo, do consumo, do comodismo.

Templos do Espírito – O reino de Deus já está aqui embrionário entre nós, como semente. Sim, ele já se manifestou no passado quando se realizou a profecia:  “Um rebento novo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor” (Is 11,1).  Em Jesus aconteceu essa profecia. Ele era o rebento novo esperado. E o reino dos céus? Jesus foi e é o reino dos céus presente em nós. Este reino é implantado em nós pela infusão do Espírito Santo. Tornamo-nos templos dele. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus?” (1Cor 6,19). Sim, templos desde o batismo. A graça nos foi dada. Contudo, ela pode ser perdida, sabia? Ao invés de tê-la perdido, ela tem crescido dentro de você?

Produzir frutos –  Fomos ungidos pelo Espírito. Com esta unção acolhemos o compromisso  de construir o reino de Deus. E qual a relação disso com Advento?  Advento é tempo de conscientização em relação a este novo tempo, onde Cristo possa reinar. “Dai, pois, frutos de verdadeira penitência” (Mt 3,8). Por eles caminhamos em direção à consolidação do reino do Messias. Manifesta-se pelo acolhimento “uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15,7). Assim, os ungidos se acolhem e assumem uma outra forma de vida.

Penitência – Vida de penitência implica austeridade, evitando o desperdício.  Como dizia João: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus” (Mt 3,1-2). Sabe diferença da austeridade de João e o nosso evitar desperdício? A austeridade de João Batista não era egoística. Não visava evitar que sejamos engolidos pelo planeta, por exemplo. Sua austeridade tinha  a ver com desapego deste mundo e apego às coisas do alto. Sim, coisas espirituais. A motivação difere a austeridade egoística e a penitência pelo reino de Deus.

Preparar o caminho – É o que sonhamos. Esse caminho novo precisa ser preparado e buscado. “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas!” (Mt 3,3). É um caminho diferente. Mas, Paulo nos garante que conduz ao bem-estar que desejamos. “Ora, tudo quanto outrora foi escrito, foi escrito para a nossa instrução, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15,4). Cristo se mostrou caminho para os que têm sede de felicidade.

O caminho é investir tempo nas coisas do alto, e não só nas coisas deste mundo. Se ter tempo é uma questão de preferência, em que temos preferido investir tempo: nas coisas materiais ou nas espirituais?

 

Eu diante da Palavra

Rebento novo
“Naqueles dias,
1 um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes.
2 Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor”
(Is 11,1).

Sinto esses dons do Espírito em meu dia a dia?

 

Fazer penitência
“Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia.
2 Dizia ele: “Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus”   (Mt 3,1-2).

Que tipo de penitência eu faço?

Consolação
“O Deus da perseverança e da consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Jesus Cristo”  (Rm 15,5).

Quando alguém erra, procuro manifestar a esta pessoa sentimento de consolação?

Esperança
“Ora, tudo quanto outrora foi escrito, foi escrito para a nossa instrução, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança”  (Rm 15,4).

Em que momentos esta esperança futura me consola?

 

Minha prece

Senhor, com justiça governais  vosso povo.
Libertareis a todos os que confiarem em vós.
Atendereis o indigente que suplica
e salvareis a vida dos humildes.
Todos os povos que vos adorarem
serão abençoados.
Quero estar entre estes adoradores.
Com eles quer cantar vosso louvor para sempre!
Bendito o vosso santo nome.