Critérios de grandeza

Critérios de grandeza

Critérios de grandeza

Jesus questiona os critérios de poder e de valor de sua época. E em nossos tempos, quem são valorizados hoje? Os bem-sucedidos profissionalmente, os que têm bom carro, boa casa, os que têm poder, os que são bonitos. Jesus concordaria com este critério?  Certamente, não, pois ele exige algo mais. “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!” (Mt 5,3). E ainda: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” (Mt 5,4). Contrastante, não! Critérios tão diferentes dos nossos! Realmente Jesus apresenta novos tipos de felizardos. Não têm o jeitão dos que hoje são aceitos como bem-sucedidos.

Humildade. Jesus valoriza os modestos. Apresenta critério diferente para valorização das pessoas. Por que estes serão felizes? Porque estão mais propensos a acolher. Seguindo esta lógica  Jesus foi evangelizar entre os galileus. Preferiu a Galileia que era sempre a primeira região a sofrer os estragos provocados pelos impérios estrangeiros que guerreavam tentando se apoderar da terra de Israel. Estava numa rota mais acessível  do que entrar pelo deserto ou pelo mar Mediterrâneo. Era a primeira região a sofrer o ataque dos inimigos. Mais: a Galileia também foi a região por onde o povo de Israel foi deportado para o estrangeiro. “Deixarei subsistir no meio de ti um povo humilde e modesto, que porá sua confiança no nome do Senhor”  (Sf 3,12). Por isso, as expectativas messiânicas concentravam a atenção na Galileia como cenário da primeira manifestação da luz messiânica. Seria a primeira região a receber a libertação, como antes tinha sido a primeira a experimentar a escravidão. Ali Jesus começou seu ministério. Ali começou a reunir os discípulos e mostrar que eles seriam constituídos de pessoas humildes!

Chamado. A quem Jesus chama? Pessoas que estão fazendo alguma coisa na singeliza do seu cotidiano: Simão e André, que estavam pescando (Mt 4,18), Tiago e João, que estavam consertando as redes (Mt 4,21). E o que fazem estes que são chamados? Deixam imediatamente suas atividades e o seguem. Que coragem, não? Deixaram as atividades! Também hoje o Mestre chama. Como segui-lo? “Buscai o Senhor, vós todos, humildes da terra, que observais a sua lei; buscai a justiça e a humildade: talvez assim estareis ao abrigo no dia da cólera do Senhor” (Sf 2,3). Segundo Jesus, os humildes são os que têm mais condições de alcançar o reino.

Vazios.  Eles estão abertos para receber uma proposta de esperança. Os orgulhosos, não. Estão cheios. Nada mais cabe  diferente dentro deles. Como acolherão a Deus?  Estão fechados para ele e seu reino. Então, “bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!” (Mt 5,3). Eles estão abertos a novas perspectivas, sofrem, choram, mas serão consolados. São injustiçados e por isso têm sede de justiça. Eles não têm poder, são caluniados e perseguidos.  Contudo, por estarem abertos a andar  conforme os caminhos do Senhor, serão recompensados por Ele. “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (Mt 5,12). Os vencidos serão vencedores. Os vazios de si, serão enchidos pelo Senhor.

Confundir. Uma lógica quase inacreditável. “O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes” (1Cor 1,27). Quem são os fortes, neste caso? Aquelas pessoas que só pensam em acumular bens, os que se vangloriam do poder, os cheios de si, os materialistas, os que somente se dobram à sedução do que é material, racional  e sensível. Para estes, até alguns seres humanos são desprezíveis porque não preenchem seu critério material e humano de valor. Entretanto, segundo  Paulo, os que são desprezíveis para o mundo terão oportunidade de mostrar seu valor.  “O que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são” (1Cor 1,28).

Jesus veio enaltecer novo critério para se valorizar as pessoas. Não enalteceu os ricos, os  que têm poder, os bonitos, os bem-sucedidos materialmente ou profissionalmente. Enalteceu a outros. Possuir apenas predicados de exterioridades, são muito pouco. Valorizou quem possui elegância interior. Jesus valorizou os humildes, os desapegados, os acolhedores. Somos  assim?  Resta a cada um se avaliar.

Eu, diante da Palavra

Humildes
“Buscai o Senhor, vós todos, humildes da terra, que observais a sua lei; buscai a justiça e a humildade: talvez assim estareis ao abrigo no dia da cólera do Senhor”
(Sf 2,3).

Observo a justiça e a humildade?

Povo humilde
“Deixarei subsistir no meio de ti um povo humilde e modesto, que porá sua confiança no nome do Senhor”  (Sf 3,12).

Estou entre as pessoas que formam o povo do Senhor e que põem nele sua confiança?

 Coração pobre
“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!” (Mt 5,3).

Meu coração é pobre ou cheio de orgulho, cheio de mim mesmo?

Minha prece

Senhor, és fiel,
fazes justiça aos oprimidos;
dás alimento aos famintos
e libertas os cativos.
Abres os olhos aos cegos
e amas aquele que é justo.
Então, Senhor, dá-me um coração humilde
para que eu possa me encher de ti
e das virtudes que me tornem
mais agradável aos teus olhos.
Que assim seja.